quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Pirate's Life For Me...

Dia 05 de abril no ano de nosso Senhor 1716.

Quarenta e cinco dias fora de Bristol e minha vida mudou para sempre. Nosso navio mercante foi hoje capturado pela nau pirata A Vingança do Aventureiro. Eu temo que nunca mais veja a Inglaterra novamente.

Os dois navios se chocaram avassaladoramente. Nós tínhamos feito boa corrida, espalhando todas as velas – até mesmo o braço de vôo e as minúsculas velas do topo, mas a barcaça pirata que nos perseguia devia ter um fundo limpo, sem cracas do mar, e um contramestre qualificado.


O primeiro pirata a embarcar era ameaçadoramente terrível. Plenamente meio metro mais alto que eu, o homem era escuro como os carregadores africanos que você vê trabalhando nas docas. Ele pulou de navio a navio empunhando uma lança de embarque e rugindo em uma língua estrangeira. Em torno de seu pescoço, ele usava o mais estranho adorno: pequenos pedaços de couro enrugado, unidos por um cordão fino.

"Chicotes do inferno!", Disse o capitão Roger. "São orelhas. Orelhas humanas!"
Fiquei nauseado enquanto meus olhos confirmavam a verdade. Que tipo de homem usa a carne humana como decoração?

Mais piratas fluíram para o deque. O negro avançou, e todos nós encolhemos recuando.
"Isso já basta, El-Lahil." Um homem baixo e rotundo, com o rosto queimado do sol e um par de pistolas no cinto, veio mancando para frente. Ao contrário dos outros piratas, ele estava vestido com roupas ordinárias de marinheiro, com nenhuma das fitas ou faixas que abundavam em muitos da tripulação. De diferente, apenas um chapéu de três pontas em sua cabeça.

"Quem é o mestre aqui?", ele exigiu. Capitão Roger respirou fundo e deu um passo adiante. "Eu sou". O golpe com as costas da mão o pegou de surpresa, e ele cambaleou para trás. "Isso é por nos fazer persegui-lo."

Roger se endireitou. "Senhor, eu lhe imploro. Entregamos-nos sem luta! Sua tripulação está ilesa, e o navio é seu. Mas, por favor, senhor, não faça danos à tripulação. Faço um apelo para que você seja misericordioso. De um cavalheiro para outro."

A mudança no comportamento do capitão pirata foi instantânea e chocante. Seu rosto ficou vermelho e rugas profundas apareceram. Sua boca torceu-se. À sua têmpora esquerda uma veia ergueu-se orgulhosa, pulsando a cada batida de seu coração. Sem uma palavra, ele alcançou ao cinto, puxou as duas pistolas, e atirou com ambas em nosso capitão infeliz. Roger estava morto antes de bater no convés.


"Eu não sou nenhum cavalheiro", disse ele ao ar vazio.

*** *** *** *** *** *** *** *** ***


Ainda petrificados de medo, ouvimos uma voz. "Agora, chacais... É assim como o vento está soprando para vocês!"

Eu recuei de horror do locutor, que era terrivelmente desfigurado. O lado esquerdo de seu rosto era uma colcha de retalhos de cicatrizes e vergões. Fissuras profundas corriam em toda sua bochecha, até todo o caminho por trás de seu crânio, e pústulas vermelhas e lívidas cobriam a face deformada. Metade dos seus cabelos louros estava faltando, incapaz de crescer naquela paisagem danificada.

Seu único olho do mais profundo azul nos considerava, enquanto, pelo outro lado do rosto, o afundado e disforme buraco vazio encheu-me de medo e mau agouro.


"Vocês todos caminham pelo fio da navalha aqui, não tenham dúvidas!", ele rosnou. "O capitão pode ter as etiquetas da Marinha – quando ele não é acusado de ser um cavalheiro, claro – mas a bordo do Vingança, é do imediato cuja palavra é lei, e não se esqueçam disso!"

O homem das cicatrizes pontuava cada declaração com um golpe de seu sabre em nossa direção. "Então, eis a sua sorte. Estamos com a tripulação um pouco escassa e vocês cachorros sem mãe têm a chance de se juntar a nós. Claro, o capitão... ele acha que vocês devem ter uma escolha", zombou o imediato, "e assim nós vamos oferecer uma, não vamos, rapazes?"

Os rufiões vaiaram e riram nos mirando, como a multidão em um enforcamento em Liverpool. Nós éramos a carne fresca, e eles pareciam famintos.

"Então, sua escolha: juntem-se a nós, assinem os artigos, e se tornem bucaneiros livres em busca de riquezas nos mares." A face do imediato se escureceu, e sua cavidade ocular vazada pareceu me encarar e ter em cima de mim o olhar como o de uma funesta criatura de Satã.

"Ou passem a eternidade no cofre de Davy Jones".




- Do diário de Henry Carmoson, navegador inglês, agora pirata a bordo do A Vingança do Aventureiro.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Rrrourrrourrou e uma garrafa de rrrum!

DE VOLTA À ATIVA!!!
Releiam o texto e vamos continuar postando aqui, mais de três anos depois! ;)

Piratas. Ah, os piratas...
Entram na sua vida, saqueiam, pilham, estupram e matam...

Uma cultura fascinante que nos faz sonhar com um mundo melhor e uma vida mais rica e satisfatória....

Pois vamos parar de sonhar! Eis o novo desafio!
Para ser entregue no dia 19/08: todos deverão escrever um conto pirata que explore pelo menos 3 dos arquétipos piratas: O capitão, o imediato, o homem do mastro, o canhoneiro, o cozinheiro, o asiático, o navegador, o mercante, a assassina e o francês/inglês.
Deve ter sujeira, violência, dinheiro, trapaça, sexo, navios, sal, sangue, suor e tudo o que você julgar pertinente em uma típica história de piratas.

COMO É BOM SENTIR O CHEIRO DE SAL NO AR NOVAMENTE.... AHOY!!!!!!

terça-feira, 29 de julho de 2008

No Bar do Nenê

- Olá, por favor essa coxinha está.... quente????

- Eu mesmo a coloquei no forno

- Meu deus! Que roupas são essas?

- Ora, são as roupas de férias que qualquer imperador romano usa!

- Mas... não estamos em Roma!

- Ah, pelos deuses... mais um. Mais um destes lunáticos.

- Mas... mas... isso aqui é um boteco! Isso é uma pegadinha?

- Rapaz, estamos nos meus domínios e quem manda aqui sou eu. 

- Escuta, só me dá uma coxinha e eu vou embora, estou com fome...

- Quer que eu esquente?

- Mas já não está quente?

- Quem te disse isso?

- O senhor disse! Que já está! Quente?

- Hmm...

- Então! Me dá logo, quero ir embora, por favor, estou com fome

- Rapaz, você está ficando inflamado. Acalme-se. Deixe-me entender. Você quer uma coxinha, certo?

- Sim.

- E gostaria que ela estivesse quente

- Sim.

- E eu disse que a tinha colocado no forno, não disse?

- SIM.

- E realmente coloquei. Mas ela esfriou! Quer que eu esquente?

- “%$@# QUE *@&#$!!!! SEU #$@*!

- Há! há! há! Brincadeirinha, aqui está sua coxinha!

- Arf..... ?

- Aqui está!

- ....obrigado

 ......

- MAS ESTÁ FRIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

- Calma, calma, garoto! Não há motivos para explodir ou ficar de cabeça quente novamente!

- ARGH! VA SE F$D%R!!!!!!!! EU VOU EMBORA! NÃO LIGO SE MORRER DE FOME!

*BLAM*

- Há! Há! Há!... ai, ai...  essa juventude é fogo...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Perpetual Pub - Stars & Ales

Foi numa noite chuvosa, não muito tempo atrás, que eu os vi.

Lá fora, Deus castigava com uma chuva de gotas gordas que doiam nas minhas costas. Frio. Noite perfeita para ficar em casa. No caminho de volta, fugido do trabalho, vi um pub. Um tal de Perpetual Pub - Stars & Ales. Como em todos os pubs, nome em inglês - mesmo aqueles no coração de São Paulo, como esse era. Resolvi entrar pra escapar da chuva e fazer hora. E nada é tão bom quanto fazer hora com uma Guinness gelada.

Lá dentro era aquela atmosfera já manjada, porém sempre reconfortante: o cheiro de couro, o ambiente escuro, amadeirado, com a névoa eterna de incontáveis cigarros. Mesas grosseiras e pesadas, balcão limpo, bar cheio de opções e souvenirs dos clientes, fotos por todo lado: de celebridades que lá foram, de clientes preferenciais; e posteres nas paredes, ao lado das bandeiras e flâmulas de times. Barman de cara amigável, mangas arregaçadas. Escuro, seco e aconchegante como a toca de um hobbit. Como esse pub era.

Diferentemente do esperado, entretanto, era a animação nada condizente com o tempo lá fora. Dentro do Perpetual Pub era uma farra só: homens rindo abraçados às suas mulheres, pessoas indo e vindo, e a música num volume perfeito - nem baixa a ponto de ser ignorada, e nem alta a ponto de se ter que gritar para papear. Todos animados vendo o quinteto ao vivo, que iniciava "Sunshine of Your Love", do Cream. Sentei e pedi a minha cerveja, que veio rápida e gelada, ao lado de uma porção de amendoins - "Por conta da casa", disse o barman. A noite prometia.

Assim que a música acabou e todos bateram palmas, um assovio agudo veio do meu lado. Olhei e tomei um susto. Lá estava ele, inconfundível, no banco do meu lado: paletó dourado, calças pretas, pernas inquietas. Assistia ao show com um sorriso satisfeito. Ao seu lado, um sanduíche de pasta de amendoim e banana amassada. Longa vida ao Rei! O rei está morto?

Ele notou a minha cara de paspalho e me piscou um olho, ainda batendo palmas. Nos olhares, um código tácito: "não pergunte". Não perguntei. E ele começou a falar como se me conhecesse a vida toda:

- A noite de quinta é boa por causa deles!

E eles me foram outro choque. Titãs mortos. Pareceram horas os segundos em que os reconheci, ainda em meio à algazarra. Uma formação impossível: John Lennon nos vocais, ainda rindo com George Harrison, que segurava sua guitarra. Do outro lado, com a outra guitarra, outra lenda: Jimi Hendrix mexia nos pedais. John Bonham do Led Zeppelin girava suas baquetas, enquanto John Entwistle do The Who deixava o baixo pendurado para tomar um gole de sua cerveja. Mas não estavam todos mortos há anos?

Como se ele lesse a minha mente, deu uma mordida no sanduíche e disse:

- A música nunca morre, baby. Enquanto se lembrarem da gente, o bar fica cheio.

E estava mesmo cheio. Enquanto o Rei conversava comigo como um velho amigo, Sid Vicious chamou Freddy Mercury de viadinho e levou uma garrafada na cabeça em troca. Riu, e ambeu o sangue que escorria, desafiante. Sobrou pro Ian Curtis do Joy Division separar e acalmar os ânimos. No outro lado, Kurt Cobain tirava um barato de Michael Hutchence do INXS de como cometer suicidio foi uma boa idéia na hora, mas que olhando em retrospecto fora só uma burrice. O outro concordava soturno, mas talvez fosse porque ele perdia para o primeiro no arremesso de dardos. Jim Morrison tentava explicar para para todo o Lynyrd Skynyrd que a frase "Mr. Mojo Risin'" era um anagrama para seu nome, enquanto Joey Ramone corria ao banheiro tentando não por a bebida pra fora. Bon Scott dava em cima de Janis Joplin, mas Frank Zappa queria mesmo é um menàge. Karen Carpenter, do The Carpenters, morreu de anorexia - porém devorava um Monster Burger com vontade e sem vergonha. Ao lado, Brian Jones do Rolling Stones, morto afogado, olhava animado. E bebia um mojito refrescante.

E pra dizer a verdade, isso é mais ou menos tudo o que lembro - ou melhor, me recordo em flashes. Enchi a cara! Fiquei bêbado e só acordei já em casa. Talvez o Rei tenha me dado carona até lá, porque eu me lembro de um cadillac rosa. Acho que cantei "Fly me to the moon" num dueto com Sinatra, escorando meu peso em Johnny Cash, que só entrava no refrão. James Brown tentou me ensinar uns passos, mas eu - bêbado - machuquei a virilha e bati com o joelho numa quina e acabei desistindo. Me lembro de Mama Cass dizendo que sanduíche de queijo era bom pra ressaca e eu acho que mandei ela tomar no rabo. Se eu não me engano que eu disse pro Buddy Holly que o Ritchie Valens tinha o desafiado prum braço de ferro; quando eles foram forçados pelo bar inteiro a fazer a proeza ouvindo o coro de "iiiiéh!", eu vomitei nos braços deles e acho que respingou no sapato do Steve Clark do Def Leppard...

Farrear com essas estrelas do rock não é mole. Mas o que o Rei disse fica comigo até hoje:

"- A música nunca morre, baby. Enquanto se lembrarem da gente, o bar fica cheio."

E não é que é verdade?



sexta-feira, 30 de maio de 2008

Yeah, baby, yeah!!!!

- Eu sabia! Eu sabia! Todos aqueles livros de teorias da conspiração! Todas as evidências! Chega a ser falta de criatividade do destino que você esteja vivo!
- Yeah baby...
- Você continua pintando o cabelo hein? Mas a sua cara, essa não continua a mesma. Pelo menos você perdeu alguns quilinhos.
- Yeah baby...
- Como você conseguiu se esconder por todo esse tempo? Quem te ajudou? FBI? CIA? YMCA? Ops, pera, caiu uma lantejoula...é sua?
- Yeah baby...
- Mas olha vou te falar viu, não sei se você acertou em cair fora. Sua filha cresceu e desandou. Ta com a sua testa e perdida na vida. Casou com o metamorfótico do pop! E se aquilo tudo aconteceu do lado de fora do cara, imagina o que se passa lá dentro!? Deus me livre, uma tristeza...
- Yeah baby...
- E quando ele sacudiu aquele coitadinho naquela sacada?!
- Yeah... baby...
- É! É! Que pirado! Eu acho que ele é gay.. ele e essa galera nova do pop ai..
- Yeah baby.. tutti frutti..
- Ei, o que você ta tomando com esse whisky? Aspirina?
- Er... yeah baby
- Bom, você deve estar com dor de cabeça, te deixo em paz então.

Nalú

sexta-feira, 16 de maio de 2008

*Encontro [im]possível*

Nossa, como o tempo passa rápido ao lado de pessoas maravilhosas como o H e o Rogerz: parece que faz meses que postei o último desafio! [tu-rum, tixxx]

Enfim, vamos ao desafio da vez. A situação é a seguinte: em um dia qualquer e por qualquer motivo, você entrou em um bar ou restaurante ermo e, pasmen, encontrou uma celebridade supostamente morta.

Pode ser qualquer pessoa: pensador, músico, artista, contorcionista ou o que quer que seja.

O desafio é o seguinte: descreva em quantidade livre de caracteres seu diálogo com a celebridade.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Mia...

Pois é... post ultra atrasado de um desafio de setembro do ano passado da Nalú. Ela se empolgou, mandou, então eu posto aqui:


Era costume que às sete e meia da noite a equipe de manutenção da empresa apagasse a luz para incentivar os funcionários mais atolados a irem para suas casas. Naquela noite, as luzes se apagaram pontualmente e a sala de Mia ficou iluminada apenas pelo computador.

- Alguém pode ligar para manutenção, por favor? - pediu em voz alta em direção a porta.

Nenhuma resposta. Ela estava solitária no andar e nem havia percebido. Começou a tatear sua mesa a procura do telefone, que sempre mudava de lugar. Encontrou e discou o número sete por quatro vezes.

- Boa noite, Dona Mia...

- Boa noite Seu Nelson, você poderia acender as luzes do quarto andar, por favor?

- Claro... Até que horas?

- Humm.. Até às oito e meia, pode ser?

- Pode sim. Até logo.

As luzes se acenderam imediatamente e ela voltou ao trabalho. Tamanha era sua concentração que não percebeu que o CD havia terminado e tudo que se ouvia eram as batidas dos seus dedos nas teclas do computador em um ritmo frenético.

- Clac!

Um estalo longe dali. Mia apenas levantou os olhos buscando identificar o local do ruído. Mas pela fresta de sua porta e pelos vidros da parede que formavam o quadrado de sua sala não viu ninguém. Não se moveu. Voltou a digitar. E tudo voltou a ficar escuro. Seu rosto estava novamente iluminado por tons azulados.

- Mas eu disse oito e meia! - pensou.

- Clac!

Outro estalo. Desta vez, muito próximo. Tão próximo que Mia sentiu que parecia vir da sua própria mesa de trabalho. Ignorou e buscou o telefone. Sete vezes quatro. Nada.

- Seu Nelson deve estar dormindo, o vagabundo... - concluiu.

- Clac!

Um novo estalo. Decididamente na sua mesa e muito alto. Mia já tentava disfarçar a indiferença. Olhava ao seu redor e por mais que a razão concluísse que aqueles ruídos poderiam ser facilmente explicados por uma simples mudança de temperatura, seu coração batia mais rápido. Ela não estava mais sozinha.

- Tem alguém aí? - perguntou em voz tímida.

- Clac! Clac!

Mia saiu da cadeira em um movimento rápido e foi para baixo de sua mesa. Ficou ali, acuada e em silencio. Olhava para a janela e não via ninguém naquela escuridão. Mia estava com uma respiração ofegante então pôs a mão na boca. Se ficasse em silêncio, talvez aquilo não aconteceria de novo.

- CLAC! CLAC!

Desta vez tão forte que Mia teve de engolir o grito. Com as mãos ainda tapando sua boca queria em escapar de sua sala, mas o pensamento de andar pelos corredores sozinha naquele breu e perseguida por algo claramente sobrenatural a amedrontava. Então ela reuniu coragem e gritou:

- O QUE VOCÊ QUER?

...Silêncio. Nenhum estalo. Mia já suava frio e olhava para todos os lados. Mais silêncio. Por alguns minutos ficou alí, imóvel.

- Física, pura física. - dizia Mia para si mesma e levantou-se devagar voltando a sentar-se na sua cadeira que tinha sido jogada para trás. Seus olhos estavam fixos na saída da sua sala e seu pensamento era uma divisão de escolhas: Sair ou não sair dali. Então ela ouviu algo.

- Tec .. tec. Tec...

Era o som de dedos tocando um teclado de um computador. Levou sua cadeira até a mesa. As teclas do seu computador não estavam sendo tocadas, mas o barulho continuava. Olhava fixamente para o teclado e subiu seus olhos para a tela. Um novo documento havia sido aberto e pouco a pouco tudo fez sentido. Letra a letra, leu a palavra:

"C O N V E R S A R"

- Ótimo, um fantasma carente! - Mia não pode conter a ironia diante do nervosismo. Só poderia estar maluca. Afinal, tinha alguém usando o seu computador e esse alguém não estava lá. Mais ruídos. Novas palavras:

- C A R E N T E, N Ã O. C U R I O S O.

- Curioso por quê? O que você quer saber? - Perguntou irritada, se esquecendo por um instante que suspeitou de sua saúde mental por alguns segundos.

O computador não emitia mais sons. Tampouco mostrava novas letras na tela. Mia encarava seu computador descrente. Aquilo era fruto de muitas horas de trabalho e pouca comida. Coçou os olhos. As palavras continuavam ali... Então começou a teclar backspace. E acompanhava a barrinha enquanto ela subia linhas e apagava o que ela não havia escrito.

A barrinha apagava a primeira palavra e chegou até a letra "C" de "conversar". E cravou-se ali. Mia continuava apertando, um pouco mais forte agora. Nada. A barra não se movia. Soltou a tecla. Aquela presença ainda não havia se despedido.

- tec tec tec

Mais palavras, agora escritas mais lentamente e com letras mais espaçadas. A princípio não faziam sentido. Até o último símbolo. Ao final daquele símbolo, Mia pode ler a mensagem corretamente. E ao terminar, soltou um grito que expressava todo o seu terror.

- C O MOVO CEQ UE RMO RRER HO JE?

Mia agarrou o seu computador e o jogou na parede que se apagou com o impacto. Péssima idéia, pois agora estava completamente no escuro. De frente para a saída de sua sala caminhou para trás até encontrar uma parede. Ficou ali com seus olhos arregalados agora já acostumados com a pouca luminosidade. Pela janela já podia ver os postos de trabalho do lado de fora e nenhuma cabeça sobre os monitores.

Ouviu passos. Rapidamente eles se aproximavam em sua direção. Mais perto agora. E para sua surpresa o contorno de um homem se formou em sua porta.

Na sua mão um objeto longo, mas não podia definir o que era. Mia respirava alto agora. Chegava a hora.

- Mia... - Disse o intruso.

- Aaaaaaaaaahhhhh!!!!! - gritou a mulher. Sentiu uma forte pontada no peito. E tudo escureceu de vez.

O intruso entrou na sala e apontou o objeto em direção a ela. A lanterna iluminou o corpo. Aproximou-se e tateou-a em busca de algum movimento. Então encostou a lanterna ao lado da vitima e chacoalhou-a. Deu-lhe tapas na cara. O homem aproximou os ouvidos do nariz de Mia enquanto segurava seu pulso. Nenhum sinal de vida. A lanterna acesa já iluminava aquele lugar e mostrava o rosto do intruso. Mia o conhecia.

- Minha nossa.... Morreu de susto. - lamentou Seu Nelson.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A cena que parou no chão da sala de edição

*Cene 76*
Jedis are inside a spaceship, going to seize Palpatine.
They are all with a contemplative look on their faces, when Mace Windu storms in the spaceship room.

MACE WINDU
All right, sweethearts, what are you waiting for? Breakfast in bed? Another glorious day in the Jedi Order! A day in the Order is like a day on the farm. Every meal's a banquet! Every paycheck a fortune! Every formation a parade! I LOVE the Jedi Order!

ALL JEDI
*mumbles on expectation*; *one "fuckin' soldier boy" is heard.*

MACE WINDU
*sits on a floating chair, pretending he didn't heard the complain*
All right, men. I've got our assignment.

JEDI MASTER #1
*speaking to himself* At fuckin' last.

MACE WINDU
Well, you can very well be in a hurry now, Master Fisto, but this covert mission was justified. We're going after the Sith Lord.

ALL JEDI
*suprise looks on their faces; one "fuck me" is heard*

MACE WINDU
Well, yes. Fuck you. Fuck me. We´re all fucked. This is the most badass creep in the galaxy, and that's why I've called you all here in secret. Anakin's just tipped him off - so, we got the jump on him. He doesn't know we're coming. And we're four guys, he's just one. Odds on our side, fellas.

JEDI MASTER #1
Odds on the side of his black ass, that is.

JEDI MASTER #2
Yeah. You know, I've heard he can shoot lightning from his finger tips.

JEDI MASTER #3
From his fingertips? Dunno, he's not Zeus, you know...

JEDI MASTER #2
Zeus who?

JEDI MASTER #1
Zeus, the all-powered god on Greek pantheon.

JEDI MASTER #2
Zeus?

JEDI MASTER #1
Yes, Zeus.

JEDI MASTER #2
Zeus?!

JEDI MASTER #1
Yeah, Zeus! Old man, grey beard, white robes, craps lightning and farts thunder. His name rhymes with Je-zeus, that other bearded fella. Fucking Zeus, you god dammit illiterate!

JEDI MASTER #3
*to Jedi Master #1* Zeus is a human god, Fisto. And he's not human, you know.

JEDI MASTER #2
*pissed off* Yeah, I'm not fucking human. I don't give a fuck to human deity. Shit, I don't even give a fuck for human ladies!
*to Jedi Master #3* They've only got one pussy, did you knew that?

JEDI MASTER #3
Just ONE pussy?

JEDI MASTER #2
One and one only. Al least, that's what I've heard.

MACE WINDU
Well, I'm fucking human, and one fucking pussy is enough for me to fuck. And it's been years since you don't switch you little lightsaber on due your chastity vow, so why the fuck would you even *want* more than one pussy? Shit, you can have your own pussy... you aliens are fucking hermaphrodites!

JEDI MASTER #3
*shocked* No kidding...! You guy can be a girl, if you like?

JEDI MASTER #2
Yeah, down to big tits and shit.

ALL JEDI
*all laugh*

JEDI MASTER #1
*sighing*
You know, we should have shotguns for this kind of kill deal.

MACE WINDU
Shotguns?

JEDI MASTER #1
Yeah, nice, shiny, sawed off shotguns. Those baby can put a hole on any lightning-thrower muthafucker any day o'the week. This way, we're going around that old school saying: 'dont bring a knife for a gun fight'.

JEDI MASTER #3
But blasters pack a hell much more of a punch. And if he's any good as I am - and I ain't shit close to a Sith Lord - he can rebound those shots right at our faces.

JEDI MASTER #1
Yeah, but shotguns don't fire lasers, do they, smartass? No, they don't. The shot good ol' lead. And lead is solid. Trust me; a couple shotgun shells and we would be set, death-squadron style.

JEDI MASTER #2
He would rebound the bullets as well, just like Shaquille O´Neal on a final, man.

JEDI MASTER #1
Godammit, nigger... how you assholes got to Master rank? Cheated on the IQ exam? Look... shotguns shoot bullets, right? So, when those babies touch his lightsaber, they will melt like a candybar on a barbecue. So, he's is now peppered with hot lead, or the bullets wouldn't be coming back 'cause they melted. Either way, he would be toast, fucked and soon to be dead.

JEDI MASTER #2
Dead?

JEDI MASTER #1
Dead as Dillinger.

JEDI MASTER #3
*agreeing*
Shit... we fucking should had brought shotguns.

MACE WINDU
Ok, but we didn't brought any firearms. Nor knives or even candybars to our little barbecue. We fight with our Hatori Hanzo's badass lightsabers. And you guys better start to be badasses, or you'll be dead on the receiving end of the sword.

JEDI MASTER #3
Hey, Master Mace... you're all soldier-like and stuff... how you've never thought about shotguns? Or even a .44 magnum? Hey, I would be happy with a Uzi right now.

MACE WINDU
Hold your fucking horses, man. Are we cowboys? Are we fucking Israeli thugs? Mossad soldiers? No! We're fucking Jedi Masters! We're samurai meets scanners! Do you need a motherfucking shotgun to be safe, you faggot? You're carring a fucking laser sword, you fucking gay. Just shove it up his ass, and we're home free!

ALL JEDI
*look to each other embaressed*

MACE WINDU
Good. So put on your game faces on and lets get moving. We're here. Let's get into character.

*they leave the room*
*CUT*

E o George Lucas jogou essa cena fora e foi direto como abaixo.



Tosa

É num pet-shop de um bairro rico de São Paulo que encontramos três amigos conversando sobre uma das grandes questões da vida...

Fil: E sabe quanto pesa o maior poodle do mundo ? Cento e cinqüenta e dois quilos!! Quer dizer, porra! Com a grana que gastam com eesse bicho daria pra curar a porra do câncer, pelo amor de deus!!!

Jimi: Não sei, Fil... sei não...

Fil: Não sabe o que, cara? É isso! É hipocrisia, esbanjamento e hedonismo! E nós, brother, com essas maquininhas nas nossas mãos, cortando os pelinhos desses frufrus estamos no topo de um Monte Olimpo grego de MERDA. E ISSO *mostra a maquininha* é a nossa mensagem pra humanidade. Isso é a porra do nosso legado.

Jimi: Achei que fosse só uma tosa...

Fil: Você não ta ouvindo? Não ta ouvindo nada do que eu to falando? Somos mensageiros, cara!!! As dondocas pagam R$ 66,66 pra experimentar um lampejo desse deus, desse divino, dessa essência. A essência...

Jimi: ...da merda.

Fil: E lá está você fudendo meu devaneio de novo!!!

Jimi: Você que disse que somos arautos da merda! Miqui, dá uma força aqui!!!

Miqui: Ele ta certo, Fil. Você ta falando bosta.

Fil: Bosta? BOSTA? Bosta é você, Miqui, que não ouviu uma porra do que eu falei e acha que entende de alguma coisa. E bosta é você também, Jimi. E você, seu poodle de merda. Foda-se você, você e *chut* você. E vejam se eu dou a mínima, seus chupa-rolas de um caral..*hã? Ah... ah, sim... aqui está seu cão, senhora. Sim... sim, tenha um bom dia!

...de um caralho!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Johnny Bull, shit!

http://www.youtube.com/watch?v=62qPgek-QgU --> trilha sonora do POST. Clique e deixe carregar.

O rádio ainda tocava Gary Bartz, a mesma música de quando ele entrou chutando a porta. Suas mãos estavam molhadas. Molhadas de vermelho. Lá fora, a chuva caía pesada.

Levantou. Foi se lavar. De relance, olhou no espelho: estava velho demais p’raquilo.

Um corpo inerte descansava dentro da banheira. O chuveiro ligado, vapor por todo lugar, lavava e levava o sangue ralo abaixo. Mais cinco homens estavam mortos, manchando o carpete da sala.

Meditate. Contemplate. Meditate. Contemplate.

Ouviu algo vindo da banheira. O celular do defunto tocava dentro do bolso. Pegou calmamente o aparelho enquanto respirava fundo. We must get closer to the essence of life.

Olhou no visor: era Faccini, aquele porco. Atendeu.

- Faccini, que boa surpresa. Não esperava falar com você tão cedo.
- Desgraçado-desgraçado!!! Não, não vá pensando que vai sair assim-assim-assim. Já está cercado, cercado-cercado todo o apartamento! TODO-TODO!!!
- Se você está falando do Andy-Andy, seu porco-porco, ele já morreu-morreu. E os três amiguinhos também. Agora tente não repetir as palavras, seu bosta-bosta.
- AHHH! Johnny-Johnny, seu bastardo-bastardo-baaaastardo!!! FILHO-FILHO DE UMA…
- Vou matar todos os seus, Faccini. Você só terá paz depois que devolver os meus…
Três milhões de dólares: o pagamento pelo trabalho de oito meses. Johnny, e só Johnny, sabia o que passou.

O plano era simples: Faccini estava para fechar o maior negócio com os colombianos. Era produto do melhor, disso ele sabia. Alguns subornos e muitos sumiços depois, toda a alfândega estava disposta a fazer vista grossa para o maior carregamento de cocaína dos dez últimos anos.

Aquilo ia garantir sua hegemonia em toda a Costa Leste por um bom tempo e, óbvio, Faccini não podia pôr tudo a perder. Precisava de alguém infiltrado no grupo de Hernadez. Alguém, não: ele precisava de Johnny.

Homem de confiança, Johnny Bull era o melhor entre todos. Frio, dissimulado e temerário, o serviço cairia como uma luva p’ra ele.

Depois, Faccini teria que se livrar de Johnny, é claro. Afinal, ele saberia demais e ninguém for a da família pode saber demais.

Mas ele nem desconfiou que essa era a parte mais difícil do processo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

LUST FOR LIFE

E olha só que vergonha: A pessoa mais pontual é uma CONVIDADA!!!!

LUST FOR LIFE

Tocava no recinto Barry White.
Ela estava com a roupa da semana passada, que ainda cheirava bem. Mantinha o punhal perto da coxa esquerda. Era destra, mas preferia assim.
O cabelo era vermelho, com mechas castanhas.

Andou pelo bar e atraiu os olhares vagabundos e mal-cheirosos. O punhal arranhava a sua pele, com prazer. O salto que fazia tremer as tabuas velhas de madeira do chão marcava passos determinados.

1 dolar e a jukebox se mexeu. Virou as capas dos discos, enquanto sentia cada olhar cravado em sua traseira. Sorriu e a lamina do punhal fez um corte mais profundo em sua coxa.

Escolheu Lust for Life. Pensou em matar o Iggy Pop, mas achou prudente fazer amor com ele antes. Pensou em David Bowie. Pensou em Al Green. Cantarolou Quincy Jones.

"With the liquor and drugs...."
Virou-se.

"Yeah, something called love..."
Mirou todos no balcão, afastou uma mecha castanha dos lábios. Sorriu brevemente.

"Well, that's like hypnotizing chickens."
Um deles se levantou, com as suas mãos abertas, ávidas para agarrar seu decote.

"Of course, I've had it in the ear before."
Ela segurou as duas mãos. Levantou uma sobrancelha. "Ainda não"

"Yeah, I'm through with sleeping on the sidewalk"
O sangue jorrou. O homem segurava ainda na mão esquerda sua orelha direita.
O punhal pingava. A pedra no cabo já era rubi.

"Your skin starts itching once you buy the gimmick"
O punhal girava. Voaram dedos, que pousavam em copos de rum vazio. A poeira do chão virou um creme escarlate. Brilhava.

"about something called love"
A estante de bebidas caiu por cima do barman, que chorava e pedia por sua mãe. Suas duas mães que delicadamente faziam vestidos para ele cantar à noite. Gritava. Arremessava garrafas contra os cabelos vermelhos. Ela sorria, sorria, dançava.

"Yeah, a lust for life. I got a lust for life"
Ria muito, dançava muito. Excitada, lambeu uma gotinha que pendia acima dos lábios. Gosto de metal, ela enlouquecia. Subiu no balcão, dançava, arremessava cada braço e cabeça longe. Ouvia o estalar de ossos. Parecia criança com sua primeira boneca e sentia aquela surpresa bem-vinda ao constatar que pode arrancar os braços e pernas dela.

"I got a lust for life
Lust for life
Lust for life
Lust for life
Lust for life"

Não havia mais música. Não havia ninguém. A jukebox retirou o disco, pediu mais 1 dolar.
Ela largou 10 dolares no balcão e pegou a garrafa de tequila quebrada.
"Obrigada, mas eu só queria saber qual a rota para Denver".

Luciana Minami, do http://cafecigarros.blogspot.com/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

DESAFIO: Tarantino Style

Ok, todos sabem as coisas que definem um filme de Quentin Tarantino: diálogos afiados, cronologia decupada e obsessão pela cultura pop. A violência em seus filmes é notada pela casualidade e pelo humor macabro, e embora graficamente explícitas, tem um visual excessivamente estético.

O desafio dessa semana é de tamanho livre, e sem regras a não ser uma: CRIAR UMA CENA NO ESTILO TARANTINO. Vale tudo - pode ser um diálogo, uma perseguição, uma cena de ação, enfim, o desafio está em passar uma cena no estilo descrito acima do meio visual para o meio literário.

Prazo até a segunda que vem ou suas cabeças numa bandeja!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

*Eat a peach*

Ele chegou do trabalho “trebuchão”, caloso nos olhos de tanto ver.
Via-se muito no caminho. Espinhos p’ra vista, costumava dizer.

Ela, então, estudava. Tardava a chegar ao lar, demais. Meia hora caminhada, metrô. E depois, mais catraca. O trem. Sua casa.

Era quase meianoitemeia. Ele, já frouxo do cinto, já livre da gola, sentou-se. Computador, companheiro das horas. Madrugada adentro. Ding-dongs diziam: chegou a pizza.

Um banho depois, o rádio ligado. Sexta-feira e lá estava Ela: deitada. Finita felicidade, quando vai embora, nos deixa sem chão. Sobra a cama. Abriu seu notebook no colo.

Ele navegava, jogava Truko online.

Ela, navegava. Mensagens no Orcut.

Orcut. Truko. Orkut. Truco! Seis! Nove! Doze!

Ele se cansou e deixou os bois conquistados de lado.

Ela se cansou e deixou as mensagens não-lidas p’ra lá.

Ele chat. Ela chat.

Oi. Olá. De onde? Consolação, você? Paraíso. Perto, né? É! Tudo bem? Bem, quantos anos tem? Vinte e dois. Então, somos dois. E foi-se blábláblá.

Minutos-mensagens. Risadas-perguntas. Fotos-gargalhadas. Músicas trocadas. Meia madrugada.

Ela: vem p’ra cá.

Ele: melhor não.

Ela: vem, vem, vem!

Ele: … tá, tá bom.

Achava-se louco. Seria ela Ela mesma? Pensou no deixap’ralá. Mas, quer saber, não, não ia perder nada.

Atirada. Ela mesma se taxava atirada. Será que ele vinha? Medo… e caso Ele fosse louco? Já foi, já.

Ele tocou o interfone.

Ela pulou de susto.

Ele esperou, e só.

Ela desistiu.

Ele insistiu. Seria uma brincadeira de mau gosto?

Ela atendeu. Vacilou na voz de alô.

Nas escadas, subindo.

Na porta, esperando.

Achou a porta, passos leves.

Ouviu os passos, respira fundo.

Ouviu o ar, bateu na porta.

Abriu a porta, bateu os olhos.

Linda. E como se perde a reação assim.

Melhor do que Ela pensou. Bonito de dor.

Silêncio.

E como dois leões, um de encontro ao outro. Diminuindo a distância entre ambos. Mãos encontrando o caminho alheio. Cabeças virando cada qual p’ro seu lugar. As bocas, enfim, extinguindo o tempo que havia entre os dois.

Enfim, conectados.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

(L)

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(x): :$
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(x): :D(l)!!!!!!!!
(z)(l)(x)

(o)...

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(z): ..........(l)
(x): :o
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(o).....

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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

H3NR1QU3 & H14N3

Começou com uma foto que eu tinha tirado
Uma piscadinha chamou dela a atenção
Quando menos viu já estava mandando recado
e eu respondendo com extrema prontidão!

"Puxa, mas que linda!", foi então o que pensei
Escrevendo logo, pedi para conversar
e depois de um dia que eu a adicionei,
Lá já nos viam felizes à teclar!

Como interfacear um sentimento?
Dar login em alguma identidade?
Imputar um código; eterno momento
fazer download dessa nossa verdade?

É possível por pixels se apaixonar?
Modelados na forma de um rosto
Formatar na tela o teu gosto
Cyberespaço é mesmo um lugar?

A distância que te faz rimar
"saudade e vontade; amor e dor"
mas ainda não acabou: vai findar
como tudo, embora espero com ardor

Que seja com o findar natural
e não com o minguar do fogo.
Com dois velhinhos em um funeral...
e não game over: fim do jogo

...

No fundo, tudo é só comunicação
Tecnologia pelo ímpeto movida
de ligar mentes, almas e coração

desde que a prima célula foi partida
não há mais programada humana ação
do que a busca à Constante Evolução

E o que é o amor se não a prova
da essência da existência divina
real, virtual, ilusória ou nova
ainda mantêm a centelha celestina

Saudades só os brasileiros
conseguem sentí-las bem
porque tem essa palavra, matreiros!
Para dizer a todos que as têm!

Amor de internet sobe a serra?
Sobe sim! E nos reconfigura!
Com ela conheci uma nova terra
e uma menina linda e d´alma pura

Eu daria um fim a nossa história
Um reboot, reset; um restart que seja!
Mas ainda não acabamos. Que glória!
E que a gente o nosso fim não veja!

Ó cidade de Sampa!
Terra onde nasci
por mais que seja ampla
Hiane, gosto mais de ti...

(L)